quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Recordista de soropositivos, África do Sul luta para reduzir mortes (Postado por Erick Oliveira)

É cedo da manhã quando funcionários e pacientes no Hospital McCord, em Durban, na África do Sul, se reúnem na recepção para a cerimônia do Dia Mundial de Combate à Aids, que acontece nesta quinta-feira (1º ).
Trata-se de um hospital missionário, fundado há mais de um século por um americano, com o intuito de ajudar o povo zulu, etnia que vive nessa região. O tom do evento é religioso. O pregador pede a Deus que ajude os cientistas a desenvolverem uma cura para derrotar de vez o HIV.
Em outro momento, lembra que a Aids não é a primeira doença a ameaçar a África, nem será a que conseguirá destruí-la. O paciente que iria discursar passou mal e não veio. Todos fazem um minuto de silêncio pelos amigos que já se foram. Em seguida, cantam (veja vídeo acima).
Durban é a maior cidade da província de Kwazulu-Natal, a que tem maior número de pessoas com HIV dentro do país com mais portadores da doença no mundo. Levantamento de 2008 indica que 15,8% da população da província está infectada, índice mais de 30 vezes maior que no Brasil. A expectativa de vida em Kwazulu-Natal não chega a 53 anos.
E em toda a África do Sul, a Aids é responsável por quase metade de todas as mortes. Relatório do governo mostra que das 591 mil pessoas que morreram no país em um ano, 258 mil sucumbiram a essa doença. O HIV tem sido muito mais mortífero do que foi o regime racista do apartheid.
A cultura zulu é, por uma série de circunstâncias, uma facilitadora da doença. Nas áreas rurais, a estrutura social ainda é patriarcal. Os homens podem se relacionar com muitas mulheres.
Ao mesmo tempo, os casos de violência contra as mulheres são frequentes. Fazendo sexo, consensualmente ou não, muitas delas acabam infectadas.
As opiniões controversas do ex-presidente Thabo Mbeki, que governou de 1999 a 2008, sobre a Aids, também foram um fator para que o país chegasse a este estado.
Ele questionava a ligação entre o vírus HIV e a doença Aids, além de não estar convencido da importância dos antirretrovirais. Seu governo encorajou por muito tempo um modo de vida saudável, recomendando, por exemplo, o consumo de legumes, em vez do uso de medicamentos contra a doença. Os antirretrovirais não chegavam aos mais pobres e milhares morreram desnecessariamente.
“Lembro de ver avós que gastavam a aposentadoria inteira para comprar remédios para salvar a vida dos netos infectados”, conta Lungile Hlongwa, assistente social do Hospital McCord.
Avós que cuidam de netos cujos pais morreram de Aids são comuns no país. A estimativa oficial é que haja 2 milhões de crianças órfãs por causa da doença. E grande parte delas também está contaminada.
Apesar do quadro crítico, as perspectivas têm ficado mais otimistas graças ao maior acesso aos coquetéis de medicamentos antirretrovirais, aos quais agora 1 milhão de pessoas têm acesso no país.
“Ainda assim, para cada pessoa que recebe tratamento com antirretrovirais, duas são infectadas. Isso é um desastre de saúde pública”, diz a professora Helen Rees, da Universidade de Witwatersrand, em Johanesburgo, a uma rádio local. Calcula-se que haja 5,6 milhões de soropositivos em um total de cerca de 50 milhões de habitantes na África do Sul.
Graças aos antirretrovirais, na unidade pediátrica do McCord, a reportagem do G1 só viu crianças bem-alimentadas e com aparência sadia. “Com os antirretrovirais as crianças ganham peso e logo vão à escola”, relata Lungile Hlongwa. O local parece uma simples creche.
Os pequenos pacientes não são mais preparados para a morte. “Aqui eles aprendem a como viver tendo HIV”, diz a assistente-social. A unidade de tratamento paliativo foi desativada, porque se decidiu investir recursos de outras maneiras.
TuberculoseO passeio pelo hospital passa por uma cabana de madeira ao ar livre, para onde são mandadas as pessoas com qualquer sinal de tuberculose. Essa doença pulmonar, associada à Aids, tem um resultado mortal. Metade das pessoas que vão parar na cabana têm, de fato, tuberculose, relata uma funcionária.
Por ser um hospital privado, ainda que beneficente, o McCord tem mais recursos que as unidades de saúde pública e, por isso, quem consegue tratamento ali pode se considerar privilegiado. São cerca de 6 mil adultos e 1.250 crianças. “O que oferecemos aqui o governo não tem condições de dar a todos”, aponta Lungile.
A reportagem tenta abordar pacientes na unidade de HIV, mas funcionários pedem para evitar constrangimentos. “Eles vão aceitar falar, mas eles aceitam qualquer coisa que pedirem, pois estão muito fragilizados”, intervém uma colaboradora. A Aids ainda é um fator grave de preconceito e exclusão. O resultado é que muitas pessoas se recusam a fazer o teste para saber se estão contaminadas, o que agrava ainda mais a situação.
O atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, deve apresentar nesta quinta-feira um novo plano estratégico de combate à Aids.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quase nove pessoas morrem por dia em São Paulo por conta da Aids (Postado por Lucas Pinheiro)

 Durante o ano de 2010, a Aids foi responsável pela morte de 3.141 pessoas de São Paulo, número que representa quase 9 mortes por dia no estado, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (28) pela Secretaria de Estado da Saúde. As informações constam no boletim epidemiológico feito pelo Programa Estadual de DST/Aids.

A taxa de mortalidade pela doença no ano passado ficou em 7,6 óbitos a cada 100 mil habitantes. Em 2009, esse índice foi de 7,9. Desde 1995, quando houve 7.739 óbitos por conta da doença, a taxa de mortalidade caiu 7% em São Paulo. Já a incidência caiu pela metade na última década.

Enquanto a proporção de infecções por uso de drogas injetáveis caiu 73,2% desde a segunda metade da década de 1990, a número de contaminados com o vírus HIV subiu 52,4% entre homens homossexuais e 30,5%, entre os heterossexuais.

Existem 2 homens infectados com o vírus para cada mulher soropositiva no estado. A faixa etária com mais casos é a de 30 a 39 anos, com indicência de 32 infecções a cada 100 mil habitantes.

Segundo os especialista, o uso de camisinha segue como a melhor forma de prevenção contra a transmissão do vírus.

Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2011 foram 212.271 casos de Aids no estado.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Número de pessoas com HIV chega a 34 milhões no mundo, diz ONU (Postado por Erick Oliveira)

As Nações Unidas divulgaram nesta segunda-feira (21) que 34 milhões de pessoas no mundo conviviam com o vírus HIV, que pode causar a Aids, até o fim de 2010. O novo balanço de soropositivos foi divulgado nesta segunda-feira (21) pela Unaids, braço da organização que mantém estatísticas e iniciativas sobre a doença. O número recorde, segundo a agência, se deve ao prolongamento cada vez maior da vida de pessoas contaminadas, graças aos avanços nas terapias contra doença.
No ano passado, foram 2,7 milhões de novas infecções pelo HIV e 1,8 milhão de óbitos por conta de complicações ligadas à Aids.
No Brasil, dados atualizados sobre infecções e mortes serão divulgados pelo Ministério da Saúde no dia 1º de dezembro, dia mundial de luta contra a doença. A Unaids destacou o papel do país ao atender pacientes "mais vulneráveis e marginalizados".
O número de mortes ligadas à Aids no mundo caiu 21% desde 2005. Novas infecções anuais pelo HIV diminuíram 21% desde 1997.
Para Michael Sidibé, diretor executivo da Unaids, mesmo com a crise financeira mundial, o combate à doença não sofreu grandes consequências. Segundo a agência, o acesso a tratamento poupou 2,5 milhões de vidas desde 1995.
Na América Latina, os números da epidemia continuam estáveis, de acordo com a Unais, com uma média de 100 mil novos casos de infecção a cada ano desde 2001. As mulheres são um terço das pessoas infectadas até 2010.
Informações da Unaids e da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que 47% dos 14,2 milhões que teriam direito a tratamento realmente utilizam terapia antirretrovival.
O acesso aumentou em 1,3 milhão de pessoas desde 2009. Esse universo de pessoas vive em uma lista de países considerados pela Unaids e pela OMS como de "baixa e média renda", com nações como o Brasil, a Argentina e o México.
As quedas nas infecções anuais e nas mortes aconteceram por causa da melhora no atendimento contra a doença em nações africanas como Etiópia, Nigéria, Zâmbia e Zimbábue. Já na África do Sul houve uma redução de um terço no número de pessoas que contraíram o vírus desde 1997 - o país é o líder no ranking de soropositivos, com 5,6 milhões de habitantes vivendo com o vírus atualmente.
No Caribe, as novas infecções também caíram cerca de 33% em comparação com os níveis de 2001. Os avanços principais ocorreram na Jamaica e na República Dominicana, locais onde a incidência da doença caiu em até 25%.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Anticorpos descobertos podem gerar vacina eficiente contra Aids


REDAÇÃO DO DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR 
18/08/2011 | 10h52 | Pesquisa



O isolamento de 17 anticorpos contra o HIV por uma equipe americana de pesquisadores traz novas possibilidades para a produção de um vacina eficiente contra a doença. Os novos anticorpos são capazes de neutralizar um grande espectro de variantes do HIV, enquanto alguns deles bloquearam a infecção das células de 10 até 100 vezes mais eficiência do que anticorpos neutralizantes descobertos anteriormente, relataram os pesquisadores na última edição da revista científica "Nature".
"Devido à variabilidade notável do HIV, uma vacina eficiente contra o vírus provavelmente terá que provocar anticorpos neutralizantes", disse Dennis Burton, professor de imunologia e ciência microbiana, e do instituto de pesquisas The Scripps, em La Jolla, nos Estados Unidos. "É por isso que esperamos que esses novos anticorpos se mostrem ativos valiosos para o campo de pesquisa contra a Aids".
Da Agência O Globo

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Antirretroviral pode reduzir risco de infecção pelo HIV, destaca imprensa





Os principais jornais e sites destacaram dois estudos apontando que o
uso de antirretrovirais pode reduzir pela metade a chance de infecção 
pelo HIVentre os heterossexuais.

A Agência de Notícias da Aids divulgou as pesquisas nesta quarta.

Leia a seguir reportagem da Folha de S.Paulo.


Comprimido diário pode reduzir risco de infecção pelo HIV


Dois estudos feitos na África, apresentados

ontem, mostram que o uso de remédios
 antirretrovirais reduz o risco de infecção
entre casais heterossexuais. Os resultados
somam-se às evidências crescentes de que
os medicamentos prescritos desde os anos 
1990 para tratar pessoas  com  aids também 
podem reduzir as chances de infecção.

Em novembro do ano passado, um estudo feito no Brasil pela Fiocruz,

em parceria
com a USP e a UFRJ, usando o remédio Truvada, já havia mostrado
resultados semelhantes em 
homossexuais.

O maior dos dois novos estudos examinou 4.758 casais no Quênia

e em Uganda, em que um dos parceiros era HIV positivo e o outro,
negativo.

Os parceiros negativos que tomaram o Tenofovir registraram uma 

média de 62% de infecções a menos.

Para os casais que tomaram o Truvada, que combina o Tenofovir

e o Emtricitabine, o risco de infecção foi reduzido em 73% no
ensaio clínico, feito por pesquisadores da Universidade de 
Washington.

A segunda pesquisa, envolvendo pouco mais de 1.200 homens e 

mulheres em Botsuana, descobriu que
tomar um comprimido do Truvada por dia reduziu o risco de
infecção pelo HIV em 62,6%.

"Os resultados divulgados agora são muito importantes e

corroboram estudos anteriores feitos com a
população de homossexuais masculinos e de mulheres com alto 
risco de adquirir a infecção pelo HIV", 
diz a infectologista Valdiléa Veloso, da Fiocruz, que liderou
o estudo feito no Brasil em 2010.

Ressalvas

Mas Veloso diz que, como esses estudos foram feitos em 

populações com alto risco de adquirir o HIV, os resultados 
não podem ser generalizados para a população geral.

Marcelo Freitas, gerente da coordenação de cuidado e 

qualidade de vida do Departamento de DST, Aids 
e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, faz a mesma ressalva.

"Na pesquisa, trata-se de um grupo controlado que recebe 

orientações sobre camisinhae faz testes mensais
de HIV. Não dá para dizer qual é a contribuição do remédio,
da aderência ao tratamento ou do uso do preservativo."

Freitas diz ainda que não há estimativas do custo-benefício do 

uso dos antirretrovirais como prevenção.


Fonte: Fonte: Folha de S.Paulo

terça-feira, 5 de julho de 2011

Câmara deve adiar a votação da Emenda 29, da Saúde

Sérgio Lima/Folha
Vai virar pó a promessa do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), de votar antes do início do recesso legislativo a emenda que reforça o caixa da saúde.
A prorrogação por três meses do decreto que autoriza a liberação de emendas orçamentárias restaurou a fidelidade dos deputados governistas ao Planalto.
Azeitado pelas verbas, o condomínio que dá suporte congressual a Dilma Rousseff cuida de desarmar as bombas legislativas que acionara para pressionar o governo.
Há duas semanas, em reunião com os líderes partidários, Marco Maia anunciara a “decisão” de levar a voto a Emenda 29, que trata do orçamento da saúde.
A votação ocorreria, disse o presidente da Casa, “na primeira semana de julho”, antes do início do recesso parlamentar do meio do ano, marcado para o dia 18.
Na ocasião, ainda às voltas com a ameaça de Dilma de bloquear a liberação de R$ 4,6 bilhões em emendas de parlamentares, os líderes soltaram fogos.
Agora, o cenário é outro. O Planalto foi informado por seus operadores políticos no Congresso de que a encrenca deve ser empurrada para o segundo semestre.
O governo ganhará, assim, tempo para tentar construir uma fórmula que concilie o reforço do caixa da saúde com a política econômica de cintos apertados.
No gogó, vários deputados ainda simulam interesse pela votação da emenda da saúde. Nos subterrâneos, os líderes ajeitam o adiamento.
Invoca-se como pretexto a presença na pauta de um projeto de lei do governo que tramita com o selo da “urgência”.
Trata-se da proposta que cria o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego).
Reza o regimento que as matérias que correm em regime de urgência têm prioridade na fila de votação. Nada pode ser votado antes, exceto as medidas provisórias.
Ou seja: para votar a Emenda 29, os deputados teriam de apreciar antes o projeto do Pronatec. E não há a menor disposição de fazê-lo.
Invoca-se uma conspiração do relógio. Alega-se que, a duas semanas do fim do semestre legislativo, só há tempo para votar um par de medidas provisórias.
Uma delas corrige a tabela do Imposto de Renda. A outra reduz de 11% para 5% a alíquota de contribuição do microempreendedor individual para a Previdência.
De resto, prevê-se votar apenas a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), sem a qual os congresisstas não podem entrar em recesso.
A emenda da saúde perambula pelos escaninhos do Congresso desde 2003, primeiro ano da gestão Lula.
Foi aprovada no Senado por unanimidade. Votou a favor inclusive a ex-senadora Ideli Sanvatti (PT-SC).
A mesma Ideli que, agora vestida de ministra-coordenadora política do Planalto, participa da manobra protelatória.
A emenda já foi aprovada também na Câmara. Para completar a votação, resta apreciar um “destaque” (pedido de votação em separado) que retira do texto a CSS.
A CSS é uma espécie de sucessora da CPMF, o imposto do cheque, que o Senado mandou à cova em 2007.
Ao ressuscitar a Emenda 29, Marco Maia acertara com os líderes a rejeição da CSS. Algo que faria da proposta um aleijão, já que não ficaria claro de onde viriam as verbas.
A destinação de dinheiro para o custeio do SUS está prevista na Constituição. A Emenda cuida de especificar os percentuais que cabem a cada ente da federação.
Pela proposta, Estados e municípios entrariam com os mesmos percentuais que lhe cabem hoje –12% e 15% respectivamente.
O governo federal entraria com 10%. Hoje, não há percentual definido. Estima-se que o Tesouro gaste algo como 7% ao ano. O Planalto alega que não tem como prover mais.
Além de fixar percentuais, a Emenda 29 estabelece os tipos de despesas que podem ser computados como investimentos em saúde.
Para atingir os 12% que lhe cabem, vários Estados vêm recorrendo à maquiagem de suas contas.
Computam como gastos em saúde de reformas em presídios a aposentadorias de servidores.
Em notícia veiculada nesta segunda (4), as repórteres Daniela Lima e Mariana Schreiber informaram:
Os desvios de finalidade sorveram do caixa da saúde R$ 11,6 bilhões entre 2004 e 2008.
A Emenda 29, se aprovada, fecharia os drenos. Com o adiamento, permanecerão abertos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Brasil é modelo de luta contra Aids para América Latina

País produz dez dos 20 medicamentos de tratamento antiAids distribuídos na Bolívia, Paraguai, Nicarágua, Equador e países da África


TONINHO ALMADA
aids
Enfrentamento dos laboratórios internacionais: Funed produz genérico contra Aids
Com um programa precoce de distribuição gratuita de medicamentos e o enfrentamento frontal das poderosas companhias farmacêuticas multinacionais, o Brasil se tornou o grande modelo de luta contra a Aids na América Latina e no mundo em desenvolvimento, nos 30 anos de descoberta da doença.

"Quando nenhum país havia tomado esta decisão, o Brasil se tornou, em 1996, o primeiro país em desenvolvimento a oferecer a terapia pública e para todas as pessoas" infectadas, disse à AFP o coordenador no Brasil do programa OnuAids, Pedro Chequer.

"A expectativa de vida antes da introdução da terapia era de 5,8 meses; com a terapia, passou a 58 meses e hoje temos muitas pessoas que estão há mais de 20 anos convivendo com o HIV", disse à AFP Eduardo Barbosa, diretor adjunto do programa brasileiro contra a Aids, que acaba de completar 25 anos.

O Brasil assumiu um papel preponderante no enfrentamento dos laboratórios internacionais para baratear os preços dos medicamentos antiAids nos países em desenvolvimento. "Entre o nosso comércio e a nossa saúde, nós cuidaremos da nossa saúde", afirmou em 2007 o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao confirmar a primeira quebra de patente brasileira do remédio  antiAids Efavirenz, do laboratório Merk.

Esta batalha começou em 2001, quando o então ministro da Saúde José Serra ameaçou quebrar as patentes dos laboratórios. Após um embate com os Estados Unidos, que ameaçaram levar o Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC), o gigante latino-americano conseguiu uma substancial redução de preços.

O Brasil produz hoje dez dos 20 medicamentos de tratamento antiAids, que também distribui a países da África e da América Latina, como Bolívia, Paraguai, Nicarágua e Equador. Em 2008, montou uma fábrica de antirretrovirais em Moçambique. "O modelo brasileiro virou referência porque muito precocemente adotou uma ação integrada de prevenção e tratamento, sem se deixar influenciar pela Igreja ou pela norma moral", disse o coordenador da OnuAids.

País com mais católicos no mundo, o Brasil distribui gratuitamente meio milhão de preservativos ao ano. Sua famosa campanha "Sem camisinha não tem Carnaval", completou 13 anos. Estima-se que 630.000 pessoas vivam com HIV no Brasil e 210.000 recebem tratamento do Estado. Estima-se  que mais de 250.000 não tenham sido diagnosticadas porque nunca se submeteram a um teste, um enorme desafio para o País.

Na região, vários países fizeram avanços cedo na luta contra a Aids, como Uruguai, Argentina, Costa Rica e Cuba, e a América Latina conseguiu, de longe, evitar que a epidemia chegasse aos níveis catastróficos da África. No entanto, em alguns países, como em boa parte da América Central, "a luta atrasou muito" devido à prevalência do conservadorismo e à forte dominação da Igreja, explicou Chequer.

A América Latina tem hoje 1,6 milhão de soropositivos e 800.000 deles não têm acesso a tratamentos médicos, segundo dados da OnuAids. "A América Latina promoveu o acesso universal à prevenção, ao tratamento e à atenção, mas ainda há obstáculos para alcançar as metas estabelecidas", afirmou o diretor regional da OnuAids, César Antonio Núñez.

Atualmente, 33,3 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, das quais 22,5 milhões estão na África subsaariana, segundo o programa da ONU. As organizações Act Up e Aides estimam que 70% dos doentes do planeta não tenham acesso aos medicamentos antirretrovirais. Mais de 60 milhões de pessoas foram contaminadas pelo vírus da Aids, desde a sua descoberta há 30 anos, em 5 de junho de 1981.
 
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