sábado, 15 de agosto de 2009

Terapia genética traz esperança na cura da aids

12/02/2009 - 16:23 - Atualizado em 12/02/2009 - 17:11

Pesquisadores conseguiram livrar um homem do vírus HIV por meio de um transplante de medula óssea. Para os médicos, o caso foi o mais próximo da cura registrado até hoje

REDAÇÃO ÉPOCA
Michael Sohn/AP
INOVAÇÃO
Os hematologistas Gero Hutter (à dir.), líder das pesquisas, e Eckhard Thiel

Depois de conviver por uma década com o vírus HIV, um americano de 42 anos desenvolveu leucemia. Para tratar do câncer, deixou de tomar os medicamentos antiretrovirais e se submeteu a um transplante de medula óssea. Depois do procedimento, realizado há dois anos, o vírus deixou de ser detectado e o paciente não voltou a fazer o tratamento contra a aids. As informações detalhadas sobre o paciente foram publicadas no New England Journal of Medicine nesta quinta-feira (12).

Para os médicos envolvidos no tratamento, o caso aumenta a importância da pesquisa de terapias genéticas na cura da aids. "O caso abre caminho para abordagens inovadoras para o controle de longo prazo e com menos efeitos colaterais do HIV", destaca o artigo, noticiado pelo jornal britânico The Independent.

O tratamento, liderado pelo hematologista Gero Hutter, do Charité Hospital em Berlim, envolveu a seleção de doadores de medula óssea compatíveis com o paciente e que tivessem uma mutação no gene CCR5. De acordo com pesquisas anteriores, essa alteração genética está relacionada a uma imunidade ao HIV e está presente em 1 a 3% da população nos países ocidentais.

Depois de se submeter ao transplante, o americano fez vários testes e nenhum sinal do vírus foi encontrado na medula, no sangue ou em tecidos. Ainda é cedo para dizer que o paciente foi curado: sabe-se que o vírus pode se "esconder" em partes do corpo como o cérebro, o intestino e o sistema linfático.

Mesmo com ressalvas, o caso está sendo recebido como uma vitória pela comunidade científica porque, até hoje, pacientes submetidos a tratamentos semelhantes haviam conseguido ficar livres do HIV apenas por algumas semanas.

Para Hutter, um transplante de medula é muito arriscado para ser adotado como um tratamento para a aids, mas o procedimento abre um novo campo de pesquisa na luta contra a doença.